Disciplinas de Cursos Superiores

Análises das matérias de cursos superiores escritas por estudantes universitários e graduados das universidades: USP, UFMG, UNIP, UERJ, UFJF, UFOP, UNIFESP, Unigranrio, PUC-SP, UFSC, Fatec-SP, UFABC, UFF, UFPI, ULBRA, entre outras.


Veterinária: Anatomia Patológica Viceral dos Animais Domésticos



Depois da Anatomia Patológica Geral, essa foi uma das disciplinas que eu mais gostei na faculdade de medicina veterinária. Acho que é o curso que nos apresenta finalmente à uma parte mais específica da profissão, em que entramos mais em contato com o que pode acontecer com o animal e como entender o que está acontecendo. É a base da investigação.

Não estamos falando de tratamento e cura. Isso aprendemos em Clínica e/ou cirurgia.

Por isso a anatomia patológica é estudada na transição da parte básica do curso (onde se estuda as bases de anatomia, citologia, histologia, fisiologia etc) e passamos para a parte específica, onde com base no estudado antes aprendemos as doenças e outras afecções dos animais e como trata-las. Geralmente é dividida em dois cursos: Anatomia Patológica Geral, onde se aprende o que são as lesões e alterações (degenerações, inflamações, neoplasias etc) e a Anatomia Patológica Visceral ou Especial dos Animais doméstico, que estuda as alterações gerais em cada órgão ou sistema.

É nessa etapa do curso que aprendemos a raciocinar, a ligar as informações aprendidas e coloca-las em prática. É um curso muito importante por isso, pois nos ensina a pensar.

Lembro que enquanto cursava muitos colegas deixaram de aproveitar, achando que não era importante, já que o animal já estava morto, ou se distraía com outros aspectos menos relevantes.

O que é?

É nesta disciplina que estudamos as alterações patológicas que podem ocorrer nos diferentes tecidos do organismo animal.

Aprendemos sobre diagnóstico “post mortem”, ou seja através de necropsias no animal já morto, ou “in vivo” através de Biópsias.

O diagnóstico post mortem pode ser:

  • Macroscópico, através da observação das alterações morfológica dos órgãos e tecidos a olho nu, durante a necropsia;
  • Microscópicas, removendo fragmentos destes órgãos para, após passarem por técnicas especiais para análise histopatológica, serem observados em microscópio ótico (que aumenta a imagem e possibilita a visualização das lesões a nível celular).

A disciplina envolve os seguintes estudos:

Aulas teóricas: Cada aula ou tópico do curso prioriza o estudo de um órgão ou sistema. Esse estudo é feito com base no que foi aprendido na Anatomia Patológica Geral.

Os tópicos estudados, de forma geral, em Anatomia Especial ou Visceral dos Animais Domésticos são:

  • Necropsia
  • Alterações cadavéricas
  • Principais tumores

Além da patologia específica de cada órgão ou sistema:

  • Patologia cardíaca
  • Patologia do fígado
  • Patologia das glândulas salivares e dentes
  • Patologia do aparelho digestivo
  • Patologia do aparelho urinário
  • Patologia do aparelho respiratório
  • Patologia das glândulas endócrinas
  • Patologia da pele e anexos
  • Patologia dos órgãos hemolinfopoiéticos (que produzem as células do sangue e sistema linfático)
  • Patologia do aparelho genital feminino
  • Patologia do aparelho genital masculino
  • Patologia do sistema locomotor
  • Patologia do sistema nervoso
  • Patologia do olho e anexos
  • Patologia do ouvido e anexos

E dentro de cada tópico das Patologias específicas de cada órgão, estudamos:

  • Lesão celular
  • Ciclo celular e alterações adaptativas das células
  • Neoplasias
  • Alterações circulatórias
  • Inflamação
  • Reparação e regeneração
  • Teratologia
  • Litíases e concreções
  • Alterações das pigmentações

Aulas práticas: o aluno tem a oportunidade de praticar o aprendizado teórico, através de:

  • Estudo macroscópico: Durante as necropsias.
  • Estudo microscópico: através de aulas de técnicas preparatórias de lâminas para citologia e histopatologia, raspados etc. O diagnóstico é feito em instrumento próprio de aumento, o microscópio.

A Necropsia

É o estudo post-mortem do corpo do animal. Historicamente, a maior parte dos conhecimentos médicos disponíveis foram provenientes de necropsias e ainda continuam sendo.

O objetivo é descobrir a causa da morte, para determinar a presença de doenças contagiosas e para avaliar a qualidade do serviço médico veterinário prestado. Entretanto, é comum que os proprietários resistam à necropsia e não a autorizem, sendo responsabilidade do médico-veterinário convencê-los da necessidade, importância e benefícios que a sua realização pode trazer para eles mesmos ou para outros animais que sofram de doenças semelhantes.

Do ponto de vista legal, a necropsia é uma necessidade imperiosa para esclarecer as circunstâncias de mortes violentas ou inexplicadas, não deixando crimes impunes.

Além disso, a necropsia fornece aos clínicos e cirurgiões dados mais corretos sobre estados patológicos e as modificações ou novas doenças causadas pelos tratamentos.

Para os cirurgiões, a necropsia fornece ainda informações sobre as condições das linhas de sutura e propriedades das técnicas cirúrgicas utilizadas para a solução de um dado estado patológico.

Compreende 3 (três) fases distintas:

  • A fase macroscópica, quando são estudadas todas as cavidades naturais do corpo e seus órgãos, pesando-se, medindo-se e anotando-se todos os aspectos observados, tanto de superfície externa como da interna – VOLUME, COLORAÇÃO, CONSISTÊNCIA, FORMATO, POSIÇÃO, DENSIDADE E ODOR. As principais lesões são fotografadas e, ao fim do exame macroscópico, o patologista prepara um laudo macroscópico e a lista de diagnósticos provisórios. De cada órgão ou lesão são selecionados fragmentos de cerca de 4,0 cm² e 0,3 cm de espessura para o estudo microscópico.
  • A segunda fase é o estudo microscópico dos fragmentos selecionados para confirmação dos diagnósticos macroscópicos.
  • A terceira fase, que não é distinta como as duas anteriores, começando junto com o exame macroscópico, é a correlação clínico-patológica, que, em última análise, é o objetivo final da necrópsia. Nesta fase o patologista tenta explicar os achados clínicos e a evolução do paciente em função das alterações morfológicas encontradas. Nesta correlação tenta-se estabelecer a causa imediata da morte, a lesão ou doença principal que deu início a todos os eventos que culminaram com o óbito e os diagnósticos secundários que são as lesões que direta ou indiretamente estão relacionadas à causa da morte ou ao diagnóstico principal. Não tendo relação com estes dois itens e estando presentes no exame necroscópico, podem ser a explicação para as observações clínicas duvidosas, ser responsáveis diretos pelas falhas dos procedimentos terapêuticos utilizados, ou simplesmente, expressões morfológicas de processos de envelhecimento, de afecções subclínicas, variações anatômicas e lesões cicatriciais antigas.

Conclusão

É muito importante manter o preconceito de fora do aprendizado. Essa disciplina geralmente causa muita polêmica entre os alunos, já que utiliza animais em aulas práticas. Mas é importante saber:

  • Anatomia Patológica não trata somente diagnóstico post mortem, pelo contrário. A maioria dos diagnósticos são realizados ainda em vida, através das biópsias. No primeiro caso, diagnosticando um mal em um animal que já morreu podemos reconhecer uma doença epidêmica ou aprender novos caminhos para salvar muitos animais. No segundo caso, no diagnóstico do animal vivo através de biópsias, salvamos a vida daquele animal. Ou não.
  • A morte do animal não pode ser em vão. Também achava triste e me comovo até hoje com os animais que eram usados nas aulas práticas, mas entendi a necessidade do aprendizado e a respeitar a vida do animal. Uma vez que ele já foi sacrificado para o nosso estudo, é nossa obrigação participar da aula e aprender com ele.
  • A disciplina é excelente para exercitar o aprendizado e, quando bem aproveitada, melhora muito a nossa eficácia profissional no futuro. Permite amplo conhecimento teórico e visual que auxilia muito no diagnóstico na prática do dia-a-dia.

Ana Carolina Braga. Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense. Facebook: https://www.facebook.com/anacarolinabbraga



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