Disciplinas de Cursos Superiores

Análises das matérias de cursos superiores escritas por estudantes universitários e graduados das universidades: USP, UFMG, UNIP, UERJ, UFJF, UFOP, UNIFESP, Unigranrio, PUC-SP, UFSC, Fatec-SP, UFABC, UFF, UFPI, ULBRA, entre outras.


Graduação em Filosofia: História da Filosofia Contemporânea



O que se estuda?

A História da Filosofia Contemporânea é uma disciplina obrigatória dos cursos de graduação de Filosofia, licenciatura e bacharelado. Ela abrange toda a complexidade que envolve a história da humanidade a partir da Revolução Francesa, em 1789, no período conhecido como Idade Contemporânea. Seu estudo se dá, em muitas vezes, de forma linear.

Os professores começam a abordar o pioneirismo de Fichte, Schelling e Hegel, tendo como pano de fundo inicial as revoluções liberais e os processos de independência das colônias americanas. O problema do Estado começa a ser levantado, principalmente com a experiência da Comuna de Paris.

Em seguida, estudamos sobre o Positivismo e seus percursores, Comte e Stuart Mill, que a partir do declínio da Idade Média e a incipiência do Renascimento, propõem um afastamento da teologia e tudo que pode levar o conhecimento a ser regido por superstições, cobrando-se rigor para se constatar conhecimento verdadeiro, ou seja, o que se pode comprovar.

A partir disso, a humanidade poderia progredir, junto com o desenvolvimento da ciência e suas descobertas. E por fim, como finalização desse período na história da filosofia, estuda-se sobre o impacto do Existencialismo na sociedade. Filósofos complexos como Kierkegaard estabelecem o tom da discussão sobre a centralidade da existência humana como problema filosófico a ser levantado, entre ela a própria questão dos limites da liberdade e ser livre, tão abordadas por filósofos como Sartre.

Mas os temas sociais não ficam de fora da Contemporaneidade. Pelo contrário, eles transversalizam os temas abordados, principalmente no inicio do século XX com o impacto da Revolução Russa na própria elaboração de questionamentos a serem feitos pela sociedade.

Dificuldades com o estudo

Provavelmente uma das principais dificuldades que o estudante de filosofia encontrará será no estudo dos filósofos pioneiros, como Kierkegaard e Hegel, cuja escrita é complexa. Durante os semestres que se estuda esse tema, os professores usarão como avaliação a elaboração de textos críticos sobre os autores. Na medida em que se apropria dos textos dos filósofos, a similaridade com eles vai aumentando, identificando-se cada vez mais com os autores.

Filosofia Contemporânea no cotidiano

Recentemente, através das redes sociais, levantou-se a polêmica sobre a série "13 Reasons Why" e a forma que se abordou o suicídio. Um tema pouco discutido nos dias atuais, mesmo sendo mais comum do que imaginamos. Lembrei de um filósofo que aprendi nas aulas, Albert Camus, que em sua obra "Mito de Sísifo" defende que o único problema realmente filosófico, de nossa época, é a questão do suicídio. Colocar numa balança se vale ou não viver a vida é uma questão que tem grande ligação com a Filosofia Contemporânea.

O problema da existência humana, influenciado pelo desenvolvimento das técnicas em total alienação à humanidade, coloca-se em dúvida os limites da ciência e da tecnologia. Será possível esses últimos servirem para garantir nossa existência? O progresso da tecnologia pode nos garantir mais ou menos vida? Ou então, por que ao mesmo tempo que criamos novas ferramentas para nos relacionarmos, como redes sociais, sentimo-nos tão sós a ponto de questionarmos se nossa existência deve ou não ser garantida?

Com a série e toda a repercussão que se deu, colocou-se à prova a atualidade ainda de se estudar Filosofia Contemporânea. Em alguns rascunhos feitos durante as aulas, com observações sobre a linha de pensamento de cada filósofo e em que momento se deu, foi possível traçar uma linha lógica de raciocínio que buscasse não só questionar o assunto aparente da série abordado, mas também o significado do resultado de sua recepção ao público. Na Filosofia Contemporânea não há questionamento feito sobre a existência humana, entre ela se vale ou não a pena viver a vida, que não tenha sido já levantado.

Percebi que Camus não foi pioneiro a levar o tema do suicídio como problema filosófico, houveram outros que também se inclinaram a isso. Mas a contextualização de Camus e sua obra com o impacto de uma sociedade influenciada pela contradição do desenvolvimento tecnológico e o estranhamento da existência que a humanidade vem passando, ajudou muito a compreender que até mesmo uma série pode resgatar problemas filosóficos ainda presentes em nossas vidas.

Eduardo Henrique Nascimento Silva, graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.



 

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