Disciplinas de Cursos Superiores

Análises das matérias de cursos superiores escritas por estudantes universitários e graduados das universidades: USP, UFMG, UNIP, UERJ, UFJF, UFOP, UNIFESP, Unigranrio, PUC-SP, UFSC, Fatec-SP, UFABC, UFF, UFPI, ULBRA, entre outras.


Faculdade de Letras: Direitos Humanos



É impossível falar de direitos humanos sem atentar para o direito básico à educação. A matéria da faculdade que tive que abordou mais o tema das necessidades fundamentais do indivíduo foi Educação Popular.

Essa disciplina é eletiva e eu cursei no quinto período. Ela pertence originalmente a Pedagogia, mas como em nossa grade precisamos escolher mais três matérias extras, achei essa interessante.

As aulas

Durante as aulas a professora abordou a discussão crítica sobre a educação dos indivíduos em nosso país, atendo-se ao viés da teoria sócio-histórica. Também analisamos de forma crítica as ações chamadas de “educação popular”. Esse termo diz respeito ao ensino participativo e comprometido com a realização dos direitos populares. Seu foco é respeitar e trazer para sala de aula o saber disseminado pela comunidade, tendo este saber como instrumento para o ensino. O aprendizado dá-se a partir do conhecimento que o indivíduo já possui e firma-se em um ensino que vem de seu cotidiano.

Como diz Paulo Freire, “a Educação Popular visa à formação de sujeitos com conhecimento e consciência cidadã e a organização do trabalho político para afirmação do sujeito”. Logo, tomar consciência dos direitos da população ao ensino de qualidade e ao respeito do conhecimento disseminado pelo seu meio social é essencial e dá autonomia ao homem enquanto sujeito social.

- Ementa

Estudo e reflexão crítica sobre o papel que a educação pode ter junto aos setores populares visando compreender a importância da organização coletiva nos movimentos sociais, bem como o papel ampliado da educação como prática social de manutenção e/ou transformação do indivíduo. A contextualização dos conceitos de educação, classe e popular. Ampliação do campo conceitual de educação popular no Brasil, conflituando historicamente algumas práticas dessa modalidade.

Minha Experiência

Essas aulas foram as mais engajadas com a política que tive em toda a faculdade. A professora era militante de alguns movimentos de minorias e trazia isso para sala de aula. E era algo que eu não estava acostumada. Seu objetivo era nos motivar a lutar por alguma causa social.

Os graduandos de Letras são conhecidos como os menos interessados em política de toda a faculdade de formação de professores (talvez seja só preconceito, não é intenção generalizar). Mas como essa disciplina pertence ao repertório do curso de Pedagogia, em nossa sala havia muitas pessoas engajadas com as minorias, incluindo a docente.

Eram aulas interessantes, onde havia muito debate sobre o direito básico de respeitar o conhecimento já trazido pelo aluno, ao invés de incutir a ele nossas regras de “certo” e “errado”. Além disso, entendemos a importância de levar a educação aos menos favorecidos e marginalizados, pois todos devem receber a mesma qualidade de ensino.

Conclusão

Estar com uma turma mais voltada para os movimentos políticos foi algo que ampliou minha percepção na faculdade. Meus amigos de Letras não possuíam essa preocupação, mas com essa turma da formação pedagógica já consegui enxergar outros lados da educação e pude sair da minha bolha e perceber de fato que existem muitas pessoas precisando da nossa atenção e da nossa força na luta ao seu favor. Indico essa matéria como eletiva para todos dos cursos de formação de professores.

Beatriz Ramirez, graduada no curso de Letras Português/Inglês pela UERJ-FFP.



 

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