Disciplinas de Cursos Superiores

Análises das matérias de cursos superiores escritas por estudantes universitários e graduados das universidades: USP, UFMG, UNIP, UERJ, UFJF, UFOP, UNIFESP, Unigranrio, PUC-SP, UFSC, Fatec-SP, UFABC, UFF, UFPI, ULBRA, entre outras.


Faculdade de Veterinária: Disciplina Semiologia



É a disciplina onde aprendemos a examinar e entender o que se passa com os animais. É muito prazerosa e aproxima o estudante da vida profissional. Requer muito estudo e atenção, pois o aprendizado é praticamente todo voltado para a vida prática do médico veterinário.

As provas costumam envolver casos clínicos, com mais raciocínio do que “decoreba”. Embora seja recheada de termos técnicos que devemos aprender. Por isso é importante prestar muita atenção nas aulas teóricas e práticas, pois geralmente os professores dão como exemplo algum conteúdo da prova.

Porém, mais importante do que simplesmente passar na disciplina é passar com conhecimento, sabendo usar na prática o que foi ensinado no curso.

Conceitos e Definições

A semiologia ou propedêutica clínica é o conjunto de procedimentos através dos quais é possível se chegar a um possível diagnóstico. É o estudo da interpretação dos sinais e sintomas, através de avaliações físicas e exames clínicos.

Os sinais são observações objetivas, mensuráveis, palpáveis, como uma elevação na pele ou um tumor. Já os sintomas são mais subjetivos, comuns a várias lesões, mas são mais amplos e mais importantes que os sinais. Um exemplo de sintoma é a dor (causa por um tumor).

Metodologia

No estudo dos sinais e sintomas e no auxílio ao diagnóstico, são utilizados vários métodos e técnicas. Podem variar desde procedimentos práticos, que dependem dos sentidos do profissional, até a exames mais invasivos e cruentos.

O exame do animal, quando chega ao consultório do veterinário, pode ser subjetivo e objetivo. Um complementa o outro.

O exame subjetivo é aquele que envolve o que o cliente (o dono do animal) relata ao veterinário, através do histórico, a queixa principal (dor abdominal há 3 dias ou diarreia) e a anamnese (as perguntas feitas pelo profissional durante a consulta.

Já o exame objetivo, que pode ser feito junto com o subjetivo, envolve:

  • O preenchimento da ficha clínica - Com os dados pessoais do proprietário e os do animal e da descrição do caso clínico. Deve ser feita com o máximo de termos técnicos.
  • A contenção do animal por questões de biossegurança e para facilitar o exame físico. Pode ser: mecânica (como a mordaça), farmacológica (como os sedativos), mista ou derivativa (que geralmente envolve dor, como o cachimbo nos equinos).

Com o animal devidamente contido, é possível passar para o exame físico, também chamado de semiotécnico, que é a parte da semiologia onde é feita a investigação dos sinais e sintomas. Os métodos são:

- Meios de Exploração Clínica (MEC), que são os que envolvem os sentidos, são:

  • Inspeção – Através da visão, são observados: O estado de carnes do animal (magreza, excesso de gordura), as mucosas (coloração, estado), a pelagem (qualidade do pelo), movimentos respiratórios (frequência), corrimentos (nasal, auricular, ocular) e o temperamento do animal.
  • Palpação – Através do contato direto com animal e pode ser: Direta (com as mãos) ou indireta (com instrumentos); Superficial ou profunda; Interna (através do toque retal, por exemplo) ou externa. Os dados que devem ser coletados durante a palpação são: A sensibilidade a dor, a forma, o volume, a elasticidade, a consistência e a temperatura.
  • Auscutação – Através da audição, serve para detectar os ruídos normais e anormais (patológicos). Pode ser direta (só com o ouvido) ou indireta (com instrumentos, como o estetoscópio).
  • Percussão – Também utilizada a audição, só que para a detecção de sons normais ou anormais e não ruídos. Também pode ser direta (com os dedos) ou indireta (com instrumento, martelo plessimétrico e plessímetro).
  • Olfação – Através do olfato, pelo nariz. É eficaz e muitas vezes gera diagnósticos sozinha.

- Exames complementares, que exigem mais do que os sentidos humanos. São feitos através de técnicas especiais e/ou aparelhos, como:

  • Termometria
  • Patologia clínica – Exames de sangue e urina
  • Antibiogramas e culturas
  • Anatomia patológica – Necropsias e biópsias (citologia, histopatologia, raspados etc).
  • Radiologia, ultrassonografia, endoscopia etc.
  • Eletrocardiograma
  • Ultrassonografia
  • Entre outros.

O diagnóstico

Após a investigação dos sinais e sintomas, associado aos exames subjetivos e os resultados dos exames complementares, é confirmada ou não a suspeita clínica e o profissional, devidamente embasado, chega a uma conclusão.

O diagnóstico, de acordo com a base para o raciocínio, pode ser: Sintomático, etiológico, medicamentoso, etiológico, dedutivo, provável ou presuntivo, comparativo e/ou intuitivo.

Com base no diagnóstico é concluído também o prognóstico. Ou seja, se há chance de cura. Pode ser: favorável, reservado ou desfavorável.

Conteúdo das Aulas

Durante o curso, é amplamente discutido o uso destes métodos de avaliação dos sinais e sintomas através de:

  • Estudo das mucosas
  • Termometria clínica
  • Sistema tegumentar ou “fândegos” (pelos, unhas, cascos, chifres etc).
  • Sistema linfático
  • Sistema Digestivo
  • Sistema Respiratório
  • Sistema Circulatório
  • Sistema locomotor
  • Sistema urinário
  • Oftalmoscopia
  • Entre outros.

Conclusão

Embora os clientes (donos dos animais) possam explicar o que está acontecendo, é comum a maioria omitir detalhes e muitas vezes reduzir o tempo em que o animal vem apresentando sinais e sintomas.

Muitas vezes por que desconhecem e outros em uma tentativa de encobrir o fato de não ter podido trazê-lo antes para uma consulta. Atitudes que muitas vezes acabam por prejudicar o diagnóstico e um possível tratamento, podendo até levar a morte do animal.

Por isso, na ausência de comunicação verbal entre o veterinário e os pacientes (os animais), é muito importante conhecer a semiologia e saber aplicar na prática os ensinamentos.

Ana Carolina Braga. Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense. Facebook: https://www.facebook.com/anacarolinabbraga



 

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