Disciplinas de Cursos Superiores

Análises das matérias de cursos superiores escritas por estudantes universitários e graduados das universidades: USP, UFMG, UNIP, UERJ, UFJF, UFOP, UNIFESP, Unigranrio, PUC-SP, UFSC, Fatec-SP, UFABC, UFF, UFPI, ULBRA, entre outras.


Curso superior de História: Educação Patrimonial



A presença da disciplina de Educação Patrimonial é recente nos currículos do curso de História e foi inserida a partir da demanda destes profissionais em museus, centros culturais e em projetos de preservação. Atualmente, a temática também está sendo trabalhada em escolas e possui um grande potencial para apreender a atenção dos alunos.

O que é

Todas as sociedades elegem construções, objetos e práticas que devem ser valorizados, preservados e divulgados. Eles são patrimônios, bens que são heranças para as próximas gerações. Para isso, devem ser salvaguardados em locais como museus ou receber alguma proteção especial, como o reconhecimento de órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, o IPHAN.

A Educação Patrimonial é a área de estudo e ação que visa mediar esta relação entre público e patrimônio, apresentando estes bens, o conhecimento que pode ser gerado a partir deles, o porquê devem ser preservados e quais os benefícios destas práticas.

Como historiadores, é um campo de trabalho primordial por proporcionar pontes entre o passado e o presente, que é a essência do nosso ofício. O patrimônio é testemunho de outros tempos e preservá-lo é preservar a própria História.

As aulas

O conteúdo disciplinar pode mudar de foco dependendo da formação dos professores. Os que estão mais ligados à área de museus trabalham a educação patrimonial em torno dos acervos dos museus, pensando na sua salvaguarda, em como expor e apresentar os objetos, quais são os objetivos em expô-los, quais perguntas e atividades a serem feitas com o público, etc. Os que estão ligados aos órgãos de proteção ao patrimônio, geralmente priorizam seu olhar para o urbano, pensando a cidade como um bem a ser preservado e descoberto.

Recentemente, há um movimento para também discutir e utilizar as ferramentas da educação patrimonial em sala de aula, estimulando que os futuros professores explorem a cultura da comunidade escolar. É a oportunidade de dar novos olhares para objetos e lugares que estão no cotidiano dos estudantes.

Desafios

Educação patrimonial é uma das disciplinas mais interessantes, porém desafiadoras da graduação. Digo isto porque é um tema que começou a ser discutido recentemente pelos historiadores, por isso os autores lidos raramente são da nossa profissão. Com ela temos uma experiência interdisciplinar, aprendendo noções da Museologia, Antropologia, Comunicação, Educação, Arquitetura, além das temáticas específicas que estão atreladas em cada situação patrimonial (arte, arqueologia, etc). Assim, você deve estar aberto para aprender conhecimentos novos, mas também disposto a procurar informações complementares sobre estas áreas.

Atualmente, os museus, centros culturais e empresas que prestam serviços para a preservação do patrimônio buscam historiadores para compor seus quadros de estagiários e funcionários. Se estes espaços de trabalho são de seu interesse, procure investir na área, faça cursos e outras disciplinas que estejam vinculadas a esta temática na graduação. Há algumas faculdades que possibilitam que você matricule-se em matérias de outros cursos e eu recomendo que procure as que estão na Arquitetura e Urbanismo. Eles foram pioneiros nestes estudos.

A sala de aula também é outro desafio. Raramente nós como estudantes tivemos contato com o patrimônio na escola, salvo nos passeios aos museus e exposições culturais. Como professores, as dificuldades estão em inserir a educação patrimonial no planejamento escolar, aliando-a aos conteúdos exigidos pelo currículo; estimular os alunos a pensarem sobre o patrimônio em seu cotidiano; pesquisar referências culturais na região onde a instituição está localizada e, se possível, trazê-los para serem discutidos em sala de aula.

Este tipo de atividade traz outra dinâmica para este espaço, pois é uma aula mais lúdica; a presença de objetos costuma instigar os alunos a perguntar mais sobre o tema, etc. E mesmo que não haja um tema específico em si, a própria noção de patrimônio pode ser trabalhada: por que escolhemos preservar alguns objetos e outros não? Onde estavam e a quem pertenciam? Quem faz esta eleição? Os materiais que estão hoje no nosso cotidiano podem ser um dia considerados patrimônio?

Além disso, destaca-se que há muitos espaços de preservação que possuem a consciência de que os passeios a museus são raros e que o trabalho escolar é contínuo e cotidiano. Por isso, oferecem cursos de Educação Patrimonial para que os professores continuem a sua formação na área e também produzem material didático para tal.

Conclusão

Desta forma, a Educação Patrimonial é uma disciplina de grande potencial para os historiadores. Além de trazer novas ferramentas e modos de pensar a História, capacita-os para trabalhar em outros espaços que não somente a sala de aula, como museus, centros culturais e empresas que prestam serviço para o patrimônio.

Ana Paula Santana Bertho, graduanda em História pela Universidade de São Paulo.



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