Disciplinas de Cursos Superiores

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Faculdade de Veterinária: Patologia Cirúrgica



Uma das disciplinas mais abrangentes na faculdade de medicina veterinária é a Anatomia Patológica. Ela interage entre as demais disciplinas e promove eventos investigativos para se chegar a uma conclusão, ao diagnóstico.

Para passar por essa disciplina é preciso ter certeza do que quer, se realmente a veterinária é a profissão ideal para você, já que vai ter contato teórico e prático com a doença e a morte dos animais de forma muito imperativa e verdadeira. Principalmente quando falamos de Patologia Cirúrgica, por que para mim a cirurgia também foi uma disciplina que me mostrou “aonde eu estava me metendo” e é nesse ponto da faculdade de veterinária que alguns desistem e mudam de curso.

Eu particularmente gostei tanto que me tornei monitora da disciplina e posteriormente Patologista e Professora Universitária. Vamos ver um pouco do que se deve aprender sobre o assunto durante o curso?

1 - Conceitos e Definições

É quando o patologista está executando as tarefas inerentes a patologia cirúrgica que ele se sente “mais médico”, pois esta é uma atividade que está intimamente ligada ao diagnóstico e tratamento dos pacientes.

Embora o termo Patologia Cirúrgica esteja intimamente ligado à cirurgia, na verdade, em função das facilidades tecnológicas criadas, ela está associada a praticamente todos os ramos da Medicina.

Ao contrário do que muitos patologistas afirmam, a patologia cirúrgica tem seus fundamentos estabelecidos no exame necroscópico e o verdadeiro patologista cirúrgico tem que ter o hábito de continuar frequentando as salas de necropsia, além de ter conhecimentos razoavelmente aprofundados de medicina interna.

2 - Metodologia

Como diz Ackerman em seu famoso tratado de Patologia Cirúrgica: “Nenhum patologista fará diagnóstico se a biópsia retirada não for representativa da lesão em estudo.”

Este princípio básico é vital para que o patologista realmente possa ajudar no processo de diagnóstico e tratamento do paciente. Nenhum cirurgião deve deixar a biópsia para ser realizada por um auxiliar sem supervisão. Muitos patologistas de renome enfatizam este ponto, afirmando que a biópsia deve ser sempre feita pelo cirurgião e o tratamento cirúrgico por qualquer um dos componentes da equipe.

Assim, numa lesão, o cirurgião deve procurar colher material que inclua tecido são e tecido lesado e deve se afastar das áreas amareladas e amolecidas que normalmente representam apenas necrose, sem nenhuma lesão viável para exame. Os linfonodos retirados devem ser os maiores e os mais profundos e não os mais acessíveis.

O trabalho de orientação da colheita do material é extremamente importante, pois pode resultar em material não representativo da lesão, já que qualquer procedimento utilizado para obtenção da biópsia não é totalmente inócuo, podendo causar extremo desconforto para o paciente e até mesmo impossibilitando sua repetição.

Com o advento da endoscopia, é possível obter-se fragmentos de praticamente todos os locais do corpo, tornando o procedimento de biópsia mais fácil e abrangente e consequentemente aumentando as chances de diagnóstico.

Além disso, o cirurgião deve ter em mente dois pontos importantes:

  • O Tamanho (quantidade) de material coletado – Se o material coletado for muito pequeno, pode ser que não sejam encontradas alterações suficientes para um diagnóstico.
  • A semelhança entre os aspectos morfológicos - Muitas doenças têm aspectos morfológicos superponíveis, semelhantes, sendo impossível para o patologista escolher entre dois ou três diagnósticos possíveis. Daí a necessidade do cirurgião ter noções de histologia (assim como o patologista de saber clínica) para a indispensável correlação clínico-patológica.

Às vezes, o patologista tem uma impressão morfológica que tende para uma determinada afecção. Neste caso, ele dá o seu laudo utilizando termos como: “compatível com” ou “sugestivo de”. Exemplo: A lesão é sugestiva de processo inflamatório crônico granulomatoso compatível com tuberculose. Este laudo não pode ser interpretado como afirmativo para tuberculose, mas como uma probabilidade forte de se tratar da doença causada pelo bacilo de Koch. Laudos desta natureza obrigam o clínico e o cirurgião a continuar a investigação para comprovar ou afastar esta probabilidade.

Outras vezes, as alterações são tão inespecíficas que podem ser comuns a várias afecções. Nestes casos, o laudo é puramente descritivo. Cabe ao médico que solicitou o exame estudar se tais alterações se encaixam em uma das possibilidades diagnósticas do ponto de vista clínico e discutir estas possibilidades com o patologista.

A maioria dos laudos, entretanto, é conclusiva. A precisão destes laudos está intimamente relacionada à experiência do patologista e da informação clínica fornecida pelo médico veterinário responsável pelo animal. É preciso ressaltar que os dados pertinentes ao caso, como: idade, sexo, história clínica, achados radiológicos e principais exames de laboratório, tem que ser fornecidos ao patologista. O nome do animal e seu número de registro na instituição, embora indispensáveis para a correta identificação do material, não fornecem qualquer informação útil sobre a afecção do doente. No entanto, é frequente que forneçam ao patologista apenas estes dois dados. Outro dado importante é a precisa localização anatômica e o modo pelo qual a biópsia foi obtida.

É indispensável que o cirurgião forneça ao patologista meios de reconstituir a posição da peça no paciente, usualmente marcando com um, dois ou três fios cirúrgicos os limites laterais, mediais, superiores e inferiores segundo uma convenção que deve estar claramente exposta na requisição. O cirurgião deve marcar todos os acidentes anatômicos que deseja ver estudados. Muitas peças provenientes de técnicas cirúrgicas bem conhecidas, tem um tratamento convencional. Qualquer modificação nestas técnicas deve ser relatada na requisição e devem ser feitas tantas marcações quantas forem necessárias. Muitas vezes, é impossível ao patologista reconstituir uma peça que não foi marcada e, mesmo o cirurgião que a retirou pode não conseguir reconstituir suas relações anatômicas.

Os cuidados com a peças cirúrgicas retiradas começam na sala de cirurgia. Assim, o cirurgião deve ter um relativo conhecimento do tratamento dado as peças pelo patologista para que não prejudique, de maneira muitas vezes irreversível, o seu estudo. Assim, retalhos cutâneos contendo tumores devem ter suas relações anatômicas (margem superior, inferior, lateral, medial e profunda) identificadas para a eventualidade de uma ampliação de ressecção posteriormente. Frequentemente, utiliza-se nestes casos cortes por congelação (vide adiante) para o exame da margem de ressecção, fazendo-se a ampliação da ressecção num mesmo tempo cirúrgico. Ainda sobre pele, recomenda-se que lesões pigmentadas sejam integralmente retiradas e nunca parcialmente biopsiadas, pois o seu aspecto pode mudar em diferentes locais de uma mesma lesão.

Se a suspeita recair sobre uma doença infecciosa, o cirurgião deve enviar uma pequena porção para cultura e exame microbiológicos complementares, antes de fixar o material em formol para exames histopatológicos. Por vezes o material é obtido por punção.

Enfim, poderíamos resumir os cuidados com as peças cirúrgicas e biópsias da seguinte maneira:

  • O material retirado para fins diagnósticos (biópsias) tem que ser representativo da lesão em estudo.
  • As peças cirúrgicas têm que ser convenientemente marcadas para que suas relações anatômicas possam ser restabelecidas pelo patologista.
  • A fixação é crucial. Material mal fixado é material irremediavelmente perdido.
  • Os dados clínicos e laboratoriais são imprescindíveis ao patologista.
  • Uma estreita e constante relação entre o patologista e os clínicos ou cirurgiões é absolutamente indispensável.
  • Verificar com o serviço de patologia como manusear uma peça para obter o máximo de informações possíveis.

Ana Carolina Braga. Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense. Facebook: https://www.facebook.com/anacarolinabbraga



 

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